terça-feira, 11 de julho de 2017

Benefícios da Idade



   A idade ensina-nos que nem todas as guerras são nossas ou meritórias do nosso esforço. Faz-nos perceber que a mágoa ou ânsia de vingança que guardamos dentro de nós nunca irá prejudicar mais ninguém a não ser nós mesmos. Permite-nos esquecer, perdoar ou somente ignorar e abrir portas a um futuro sem o peso de carregar os fantasmas do passado. Deixa-nos ouvir as desculpas e perceber as mudanças daqueles que outrora nos fizeram mal ou viver pacificamente com a sua ausência. Quando bem aproveitada, a idade traz-nos maturidade e permite-nos dar um passo em frente.

   A verdade é que passamos demasiado tempo a viver guerras do Passado, sem perceber que ao mesmo tempo nos deixamos vencer nas do Presente. Permitimos que a nossa vida navegue sem rumo enquanto tentamos abater aqueles que, dentro do seu pequeno barco de borracha, se afastaram de nós. E só quando chegamos a alto mar, já sem vista nem munições, somos capazes de agarrar o leme e procurar o Norte da nossa bússola. "Talvez ainda não seja tarde demais", pensamos nós. E não é! Há que encontrar o nosso rumo sem esperar pelos outros. Os outros... Esses irão cruzar-se connosco ao longo desse enorme caminho que temos por percorrer. Que se junte a nós quem vier por bem e trouxer algo que enriqueça a viagem. Que se desvie todo aquele que não tiver nada a acrescentar. Sozinhos ou bem acompanhados, o caminho que seguimos só pode ser o nosso, nunca o de outro alguém!



segunda-feira, 19 de junho de 2017

O que somos nós neste Mundo?




   Perante as tragédias, fica o espanto, o lamento, o pesar, e o sentimento de impotência e de injustiça. Mas ao mesmo tempo, a nossa cabeça levanta questões e põe em perspectiva uma série de coisas: "Somos assim tão pequeninos e insignificantes neste Mundo? Como devemos lidar com tais acontecimentos, estando eles totalmente fora do nosso controlo? Porque é que a morte por vezes é tão injusta, aleatória e inesperada?". Confesso que tem sido isso que tem pairado sobre a minha cabeça nas ultimas horas. E apesar de não ser capaz de desenhar uma certeza conclusiva sobre tais questões, fiquei com um esboço das respostas que procurava. Sim, somos tão pequenos e insignificantes como a vida de uma formiga aos nossos olhos. Ou melhor, a nossa vida é tão insignificante como aquelas que, não tendo ligação afectiva connosco, passam por nós todos os dias. Da mesma forma que não queremos (nem temos capacidade para) saber das realidades vividas pelo alheio desconhecido, ninguém quer saber da nossa. Como indivíduos temos valor para aqueles com quem possuímos laços ou com quem nos cruzamos de forma positiva ao longo da vida. De resto... Bem, somos (e devemos ser) uma estatística. Um pequeno número na escala de habitantes deste Mundo. Pessoas nascem, pessoas morrem, a maioria das vezes por razões que nos fogem totalmente da compreensão e do controlo. E aquilo que aconteceu com outro, podia muito ter acontecido connosco ou pode vir a acontecer. Mas a nossa pequenez não nos deve diminuir, deve aliviar-nos a responsabilidade sobre o que não controlamos e fazer-nos aproveitar bem o grandioso momento que é a vida. A morte é uma certeza (por muito que eu diga que não acredito até que me aconteça) e existem milhões de factores incontroláveis que nos podem levar até ela. Não vale a pena discutir a sua justiça! É o que é... E o que podemos nós fazer? Fazer os possíveis para evitar todos os males que podemos. Consideras morrer nas mãos da Mãe Natureza uma estupidez? Estupidez é morrer num acidente de viação por alguém ter ignorado normas de segurança, morrer de fome por escassez de dinheiro num planeta onde abundam bens alimentares... Isso é estupidez! E isso nós controlamos e podemos evitar. E não deixando de desfrutar da vida, devemos é preocupar-nos com isso. Um excelente exemplo aconteceu estes dias: A Natureza provocou um incêndio que deixou dezenas de pessoas sem vida. Triste, mas dificilmente conseguíamos evitar. Logo após a tragédia, o país uniu-se e não deixou que os desalojados e os bombeiros passassem maiores dificuldades. Para além disso, já se discutem formas de aumentar os meios de combate a estes fenómenos trágicos. Dois bons exemplos!

   Somos pequenos e insignificantes! Mas dentro daquilo que nos é possível, devemos preocuparmos com o que controlamos e nos pode prejudicar como indivíduos ou como sociedade em geral. De resto, há que aproveitar a vida! Quando nos provam que a vida é algo que começa quando outros querem e que pode terminar de forma inesperada, devemos passar a valorizar cada segundo e respeita-la como fariam aqueles que já cá não estão.



terça-feira, 13 de junho de 2017

Uma Vida Em Mudança



 
   Dizem que o hábito faz o monge, eu digo que o hábito é o maior erro da vida de um ser humano. A vida é algo que dura umas quantas dezenas de anos e que engloba meia dúzia de parâmetros em constante mudança provocada por nós mesmos e por todos aqueles que nos rodeiam. Mudam-se idades, ideias, fases de vida, prioridades, rotinas, convivências... Muda tanta coisa, que a única constante da nossa vida acaba mesmo por ser a mudança. E se a nossa natureza é essa, será saudável criar hábitos ou ilusões de que algo será para sempre? O desafio é mesmo manter a firmeza e a sanidade durante tanto tempo vivido sem nunca conseguir encontrar a verdadeira zona de conforto. O pior inimigo do homem é acreditar que em algum momento da vida está na sua zona de conforto, porque, mais tarde ou mais cedo, os dados voltam a ser lançados e aparecem novas mudanças que nos obrigam a caminhar fora dessa ilusória zona de conforto. Numa análise rápida, a vida é um jogo e os vencedores são sempre aqueles que têm a maior capacidade de adaptabilidade e o maior poder de encaixe perante todos os acontecimentos do mesmo. O segredo passa por não ter certezas de nada e nunca dar nada por garantido, isso só por si já é meio caminho andado para nos mantermos vivos, firmes e com um elevado grau de sanidade mental.


domingo, 7 de maio de 2017

Um Amo-te




   Um amo-te.

   O peso da palavra varia de pessoa para pessoa. Enquanto uns usam-na apenas numa relação amorosa (mesmo que tenha começado ontem), atribuem-lhe um peso de exclusividade e reciprocidade obrigatória e a tornam sagrada, outros usam-na com a mesma normalidade de quem bebe um copo de água, distribuem-na por toda a gente e diminuem-lhe o valor. Algures num ponto intermédio, existe outro grupo de pessoas no qual me enquadro. Reconheço o valor de um "amo-te" e considero que é a palavra perfeita para demonstrar o amor profundo que sentimos por alguém. O amor que sentimos por um pai ou uma mãe, por um amigo ou amiga do coração, por um animal de estimação ou pela pessoa por quem estamos loucamente apaixonados. Não faço dela uma palavra exclusiva mas também não a uso exageradamente. Uso-a sempre que sinto que é apropriado, duma forma leve mas repleta de significado. Não amo muitas vezes mas amo todos aqueles que considero importantes e indispensáveis na minha vida. Respeito quem não pensa como eu, mas não consigo controlar o riso cada vez que alguém me diz que não devo usar o "amo-te" com uma grande amiga (o caso que mais choca) e que isso faz de mim as mais variadas coisas erradas à vista de alguns seres desta sociedade. Já houve tempos em que tentei explicar, mas perante a constante falta de compreensão a indiferença apoderou-se de mim. Hoje limito-me a amar-me a mim próprio, à família, aos amigos do coração, ao meu gato e a mais alguém que um dia possa aparecer, desde que respeite o amor que demonstro por todos os outros.

   No fundo, só existe uma regra: Um "amo-te" deve ser sentido!





sábado, 29 de abril de 2017

Ponto final, Parágrafo.



   "Filhas da puta das saudade que tenho tuas!", tantas vezes, desesperadamente, o disse. Quase tantas como as vezes em que lamentei os factores que pensava nos manterem afastados. Quase tanto como lutei para eliminar, um a um, esses malditos factores. Dei tudo de mim, conheceste o melhor e o pior sem nunca me ouvires questionar o sentimento que dizias nutrir por mim. E quando pensei que esse "tudo" era suficiente e que não havia mais motivos para não estarmos próximos, descubro que todos os factores não passavam de pretextos e que o verdadeiro motivo para estarmos afastados era a tua vontade. Caí do topo da inocência, consegui juntar 1+1 e percebi que nosso caso nunca poderia dar 2. E quando assim é: ponto final, parágrafo.



quarta-feira, 26 de abril de 2017

Pequenas grandes recordações



   "A vida de uma pessoa não é o que lhe ACONTECE, mas aquilo que RECORDA e a maneira como o recorda."
   
   O ser humano tem um hábito estranho de sobrevalorizar tudo aquilo que lhe ACONTECE de negativo, acabando por não desfrutar convenientemente das coisas boas que a vida lhe "oferece". Não é regra geral, mas por norma os ACONTECIMENTOS negativos acabam por ter mais impacto no "molde" da nossa personalidade e isso pode justificar um pouco aquilo que tenho escrito nos últimos tempos. "Detesto" escrever sobre coisas negativas mas de certa forma são elas que nos permitem períodos de maior reflexão e os desabafos escritos acabam por surgir naturalmente. Mas será que apenas me ACONTECEM coisas negativas? Sim e Não! Passo a explicar: como ocorre com a maioria das pessoas, ACONTECEM-me coisas boas e coisas más ao longo do tempo. Mas ultimamente, infelizmente, apenas as negativas acabam por ganhar algum relevo devido ao impacto que têm sobre mim. E é neste momento que chega a derradeira pergunta: Mas tu apenas tens coisas más na tua vida? É lógico que não!!! Mas tudo aquilo que tenho de bom são "coisas" constantes, não são ACONTECIMENTOS. E que se desengane todo aquele que pensa que por serem constantes são facilmente esquecidas. Nunca! Amigos e família serão sempre a base de tudo! E da mesma forma que os ACONTECIMENTOS negativos me abalam e fazem reflectir, são as coisas boas que me mantêm vivo e que são RECORDADAS sempre que penso naquilo que vivi, no meu passado. São elas que me dão a possibilidade de ultrapassar toda e qualquer fase negativa. E por muito mal que eu possa estar, estarei sempre grato por as ter. Foram os amigos (do presente e do passado) e a família que me permitiram guardar um "álbum mental" de excelentes RECORDAÇÕES, que me acompanha sempre e me RECORDA do quão a vida é bela.

    E sim, por incrível que possa parecer, tudo que RECORDO da minha vida é bom. Os males são coisas do momento: ACONTECEM, entristecem-me, ensinam-me uma lição mas acabam por passar. Mas o que eu tenho de bom... Bom, isso é eterno!



terça-feira, 25 de abril de 2017

25 de Abril sempre!



   Muitos de vós dão pouca importância a esta data (se calhar até dão, é mais um feriado para aproveitar), principalmente por considerarem que somos vitimas de sucessivos governos sem lei e até de uma Europa "alemã" que nos lidera e retira autonomia/liberdade. Não discordo dessa visão, mas temos de aprender a valorizar aqueles que um dia lutaram pelos seus ideais e conseguiram pôr fim a uma Ditadura que nos impedia de evoluir como indivíduos e que mantinha o país demasiado conservador. Os Capitães de Abril foram corajosos, não se conformaram com o rumo que o país tomava e mudaram a história de Portugal. Hoje em dia falta-nos a atitude desses homens, falta-nos a capacidade de pensar no que é melhor para o POVO português no seu todo em vez de olharmos apenas para o nosso umbigo e nos indignarmos apenas com aquilo que nos prejudica em particular. Precisamos de ser um só, de ser nacionalistas (no bom sentido da palavra), de demonstrar interesse no país que vai ser o palco do nosso futuro e do futuro dos nossos filhos.

   Hoje, a 25 de Abril de 2017, comemora-se novamente o Dia da Liberdade. Mas, na verdade, não basta sermos livres. Precisamos de usar essa liberdade para não permitir que sejamos governados por interesses de terceiros. Pensa: O Mundo muda a cada gesto teu, mas se formos muitos a fazer "o gesto" a capacidade de mudarmos o Mundo multiplica-se.

   "O povo é quem mais ordena!"